Mulher
e AIDS Panorama da epidemia de AIDS A cada minuto acontecem no mundo
11 novos casos de infecção pelo HIV. Dada a condição de pobreza e desigualdade social em que vivem as mulheres, particularmente as que habitam países pobres, a AIDS tem se configurado como um dos mais graves problemas – tanto de saúde quanto social – que afetam a vida das mulheres. Os números da AIDS no Brasil Estima-se que existam hoje 537.000
pessoas entre 15 e 49 anos infectadas pelo HIV, sendo que as
mulheres somam aproximadamente 204.000. Destas, 12.800 estão
grávidas, o que sugere, numa perspectiva otimista, que
até meados do ano 2000 teremos mais 240 crianças
portadoras do HIV no país, a serem somadas ao total de
4.181 crianças que tiveram o vírus transmitido
pela mãe desde o início da epidemia. Se contarmos
ainda as mulheres menores de 15 e maiores de 50 anos, chegaremos
a uma estimativa de um total de 220.000 mulheres portadoras
do HIV ou com AIDS no país. Queda da mortalidade é menor entre mulheres Desde 1995, com o surgimento de novas alternativas de tratamento, o número de óbitos por AIDS vem diminuindo. No entanto, esta redução não é igual para homens e mulheres. Entre 1995 e 1996, a mortalidade por AIDS continuava a aumentar no grupo populacional feminino, mesmo após 1996, a queda da mortalidade por AIDS em mulheres não tem mostrado a mesma magnitude da observada entre os homens. Ao mesmo tempo, em se tratando
de homens e de mulheres, o comportamento da mortalidade é
diferente, já que em mulheres o pico da mortalidade por
AIDS se concentra na faixa de 25 a 29 anos, enquanto que para
os homens a faixa mais atingida é a de 30 a 34 anos. No Estado de São Paulo,
desde 1994, a AIDS é a primeira causa de morte em mulheres
de 20 a 44 anos . Desde 1996 a AIDS representa a quarta causa
de óbito na população entre 20 e 49 anos,
faixa em que os óbitos por doença são em
geral mais raros. De fato, as principais causas de óbitos
nesse segmento são as mortes violentas – agressões
e acidentes de trânsito – e as causas mal definidas
e desconhecidas de morte, dentre as quais estão também
os casos de AIDS mal diagnosticados. Ao contrário do que já
foi pensado, a adesão ao tratamento é semelhante
para homens e mulheres, sendo determinada fundamentalmente pela
possibilidade que a mulher ou o homem tem de assumir ser portador
e de lidar naturalmente com a medicação e, ainda,
em função da qualidade do acompanhamento recebido
nos serviços de saúde. Assim, as razões para a menor queda de mortalidade entre as mulheres devem ser buscadas na demora na realização do diagnóstico e na própria dinâmica da epidemia. Interiorização da epidemia De uma doença que inicialmente era urbana e vista como uma mazela das grandes cidades das regiões Sudeste e Sul do país, ao longo destes quinze anos tem sido verificada a interiorização da epidemia. Em 1985 havia 10 municípios no país com casos notificados de AIDS; em 1995 esse número passou para 950 . Com exceção dos
estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina
– onde existe uma participação significativa
do uso de drogas injetáveis na disseminação
da epidemia entre mulheres, tanto pelo uso próprio quanto
pelo uso por parte do parceiro –, a interiorização
da epidemia tem trazido também a sua heterossexualização.
|