O pau que dá em Chico...
Tonico NascimentoPassando pela Rua Conde de Lages uma cena me chama a atenção: uma mulher e duas crianças ao relento, a mulher dorme a sono solto, as crianças brincam numa felicidade só. A mulher não deve ter chegado aos vinte e cinco anos e as crianças, uma de uns dois e a outra com aparência de no máximo quatro anos de idade. As pessoas vão passando, algumas já acostumadas com as mazelas da vida, olham com naturalidade, outras mais sensíveis, trazem leite, pão e biscoito para o café da manhã da família, que por um motivo óbvio não se mudará dali tão cedo. Sensibilizo-me, também, com o quadro. Mais à frente, já na Rua da Glória, encontro um grupo de menores abandonados cheirando cola. Desses, as pessoas se afastam abrindo caminho, não sei se por desprezo ou medo, mas sei que estão passando por nós, potencialmente, nossos futuros algozes, se sobreviverem. Vou caminhando em direção ao Metrô, e as cenas não me saem da cabeça. Atrelado aos pensamentos me vem a lembrança de um pai, que após um corretivo num dos filhos, foi levado à Delegacia Policial e quase processado pelo Delegado de Plantão. Um paradoxo, não? Bom, as autoridades que protegem os menores, se preocupam bastante com os nossos filhos, estes têm pais, residência, educação e tudo mais que uma família pode oferecer e, como se vê, ainda contam com o apoio das autoridades. Enquanto aqueles que necessitam realmente...
Que me perdoem, mas eu não me conformo, com essas intromissões na educação dos filhos de famílias, a não ser em casos extremos. Agora quem precisa mesmo de apoio, não tem a mínima assistência. Ao longo da minha vida eu conheci diversos chefes de família, que foram educados no antigo SAM, se não me falha a memória, Serviço de Assistência ao Menor, nome que causava temor em qualquer criança travessa, mas hoje em dia eu não conheço um, pelo menos um, que tenha passado pelas instituições de assistência ao menor e que tenha se recuperado. Infelizmente todos que eu conheço se não morreram estão no sistema prisional. Esses menores de idade que já passaram dos quatorze anos, no meu modo de pensar, não têm a menor chance de recuperação, abaixo dessa idade dá ainda para fazer-se muita coisa, mas quem se interessa por essas crianças? Só mesmo as ONGs, que também em sua grande maioria é formada por verdadeiras quadrilhas, que se aproveitam justamente dessa lacuna deixada pelo Poder Público.
Esse Estatuto do Menor e Adolescente tem que ser revisto URGENTEMENTE, pois essa merda, me perdoem a expressão, desse Estatuto só induz o menor ao crime. Com a população de rua crescendo de forma exponencial, o futuro da Nação é preocupante. Alias tivemos agora a chance de melhorarmos esse panorama, mas após o final da apuração, o que vimos foi uma renovação à base das Capitanias Hereditárias.
Desdizendo o dito popular: NEM SEMPRE O PAU QUE DÁ EM CHICO DÁ EM FRANCISCO!!!

