Lamento do Rio Cocó
Airla Gomes M. Barboza
Corre ameaçada
Por gente de muito saber
Que desmata com prazer.
Seu leito diminui
Causando inundação
Respondendo ao sofrimento,
Que faz a construção.
Apresenta solo rico
A área do manguezal
Plantas altas, plantas baixas
Bem bonitas, sem igual.
Maltratado pelo aterro
Chamado Jangurussu
Coitadinho do rio
Sem norte, nem sul.
A construção ajeitava
A pobre população
Que do rio judiava
Pra ter seu pão.
Chora o rio de tristeza,
Chora por desaparecer
Sabendo que o homem
Na construção vai crescer.
Invadido está.
Desse jeito não dá!
E o nosso rio?
Irá se acabar.
Ele ecoa um grito
Grito de trovão
Lamento do rio
E da população.
Os peixes sorrindo,
Não vejo mais!
E nem pulando
Saltos ornamentais.
Nessa terra eu cresci
E nela ficarei
Com minha gente sofrida
E as coisas que lamentei.

