Nas chamadas irreverências da vida, onde cada qual, aos outros e pelos outros se vão substanciando ódios com genes comuns, emerge sempre alguém que pelas suas semelhanças, ilusoriamente personificadas, criadas e edificadas, chamamos em plena adjectivação de Humano da Humanidade.
Julgamo-nos únicos quando na realidade o vazio, não parte de nós mas passa por nós. Não nos vemos porque não há quem nos veja, não nos ouvimos porque não há quem nos ouça, não nos amamos porque não há quem nos ame. Somos o reflexo de impulsos intra-sensoriais que emanecemos em mundos paralelos, quando mesmo no dormir, dizemos respirar. Somos a essência de um sopro cósmico que se quer sempre e cada vez mais forte. Somos esse vazio onde nem de dentro do mesmo nos conseguimos engrandecer. Somos a aparência, a solidão e a escuridão onde o que vive sem cor, colorido seria se cada Humano coexistisse não na luz mas sim em luz.
Sendo nada como o nada, consigo gerar impulsos de esperança dentro desse espaço onde me confundo com essa tal de Humanidade.
Como nunca nasci, também nunca morrerei nem renascerei. Mas sei que esperando-me, um dia chegarei. E enquanto me espero, não obstante ser igual ao nada dos outros, coexisto na crista de num impulso que me privilegia; Quero aparecer e poder viver.

