Dor suprema
Soares Bulcão
Tento exprimir, mãe de bondade, tento
Cantar a dor na sílaba de um verso
O amor materno em lágrimas disperso
Pelo intérmino mar do sofrimento.
Procuro o pranto, o lúgubre lamento,
Tudo o que geme, no martírio imerso,
E essa agonia eterna do universo
Não diz o teu sofrer de um só momento.
Sondo, de noite, os tétricos gemidos,
Ocultos ais dos corações feridos,
A angústia, a pena, o dó que me insinuas
E esse concerto de ânsias e queixumes,
Capaz de encher milhares de volumes,
Mãe! Não vale uma lágrima das tuas!

