Despedaçada
A partir de hoje, em silêncio profundo, observarei as coisas com benevolência e, feito Fênix, renascerei.
Amarei o sol que ilumina os meus dias e aquece este coração aos pedaços, num corpo em retalhos.
Amarei a chuva cristalina que tira da terra as impurezas superficiais, que abastece o planeta e purifica o meu espírito.
Amarei a luz, seguindo seu reflexo, mostrando-me o caminho.
Amarei a escuridão, com seus mistérios e medos pois é quando viajo nas estrelas, ao encontro do vazio, aos pedaços, em busca de mim.
Buscarei a felicidade nos detalhes, nas ranhuras da vida, nas nesgas da estrada, no fugir de mim mesma, aos pedaços.
Aceitarei a tristeza, companheira fiel, audaz, voraz, que ronda meu corpo, despedaçado pelas incertezas do nunca e pela purificação de minh'alma.
Entenderei os obstáculos do meu caminhar, um a um e, aos pedaços, retalhada, hei de transpô-los, buscando crescimento e fortalecimento, nunca recompensa e, se ela vier, será aceita pois me pertence por mérito.
A partir de hoje serei doação, entendimento, amor, saudade.
A partir de hoje não mais serei eu pois, aos pedaços, perdi-me na busca do todo, restando-me só a vontade de ser o que não fui.