




Ai de mim nesta prisão sem grades!
Onde vozes me perseguem dia e noite,
Fantasmas do passado tentando enredar-me,
Abocanhar minha vida e tomar posse
De minha alma fragilizada
Pelo confinamento
A que fui submetido.
Moralmente cerceado!
Com amarras intelectuais!
Gritando no deserto,
Como louco varrido
Das sociedades
Bem estabelecidas.
Grito sons ininteligíveis
Pois minha língua está colada.
Gesticulo
Mas ninguém me entende.
Pergunto em vão:
Ninguém me responde.
E assim prossigo,
Tateando sem ter em que me agarrar.
Alguns, de boa vontade,
Se oferecem para ser meus olhos.
Pena que sejam mais cegos que eu!
Quem me libertará desta prisão?
E me conduzirá às terras onde correm leite e mel?
Silêncio!!!
Escuto uma voz,
Deus me chamando para seu abrigo.
Descansa, minha alma, em Deus,
Pois só ele te traz a Liberdade
E a Paz que tanto procuras.
Vinde, ó Deus, em meu auxílio!