Crer ainda que tudo diga não










Categoria: Místico
Cantinho: Ana Maria de Oliveira
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Crer ainda que tudo diga não
Ana Maria de Oliveira
Tu, maior que tudo,maior que tu mesmo, Insondável abismo de dons, dono és desta imensurável pequenez e miséria humana que sou.
Como podes combinar tal dialética? NADA sou e ÉS TUDO!
Desejei desde sempre e o desejo agora apossar-me de “migalha” deste mistério para que meu coração bata em compasso suportável e compatível com o anseio, que por hora, é incoerente, de possuir-te ou, na consciência real e profunda de, por ti deixar-me possuir...
Mesmo tendo a certeza de que tua bondade dadivosa me preenches, sinto um vazio inexplicável e uma sede sem limites de ti.
É como se, imersa no mar de tua gentil presença, ainda sentisse dor profunda de não poder experimentar-te o sabor.
Degladiam-se em meu segredo: posse X abandono.Minha incoerência te almeja ardentemente! É como se, parada à borda de riacho com água límpida e benfazeja, não tivesse forças para, sobre ele, debruçar e fartar-me a sede que me consome...
É como se, tu me tomando nos braços carinhosamente, eu não experimentasse o calor aconchegante de teus braços que me abraçam.
Desértica está minha alma e nesta aridez profunda me entrego a ti, súplice desejosa de experimentar ainda que uma gota de tua gentileza.
Meu intelecto tem a posse da verdade de que jamais me abandonas, no entanto minh’alma experimenta o cadinho da dor solitária.
Ah! Saudades tenho do tempo em que me fartei de sabores e prazeres experimentando o dom da partilha contigo, AMADO DE MINH’ALMA.
Como já provaste a fé ao extremo, sinto-me à prova neste momento em que minha alma não saboreia o gozo supremo de contigo “fazer AMOR”
Recordo o tempo em que juntos íamos ao ápice do prazer e nos fartávamos do gozo de sermos: TU em mim e eu PARA TI.
Amado, gentil Senhor de minha vida,mesmo em meio a limites te agradeço a permissão de, pelo menos, meu intelecto manter a ciência de que ÉS FIEL PARA SEMPRE e que os sabores, os odores e os primores retornarão ao meu “paladar” se mantiver firme a fé de que não me abandonas jamais.






