

O jardim das Acácias
Certa ouvi um canto, vindo do extremo sul
do Vale Hidelbrando
pela mata noite e dia
caminhei ao som uivante
ouvindo aquela melodia
que me zumbia
sem parar crescia
Doce voz, me impulsionava
e em largos passos
eu andava
Desposto a enxergar
qual fosse a face
daquele cantar
Cheguei perto
muito perto...
me encolhi entre fachos de capim cidreira
a espreita pela beira
a doce sereia
Era bela!
Muito bela!
Cantava a frente
de um Jardim Reluzente
Tanto quanto a beleza da dama
me constrangia
como aos olhos me cegava
a natureza
que lá estava
Era como se aquela dama
fosse a mãe natureza
Cantava sobre toda a beleza
possível de se existir
quase que cada tom de silaba
gera-se átomos de trilhas
que brilhavam
como que se palavras
piscavam
como brilhos
de pó piscante
as palavras da bela
como magia
davam luz
aquela esfera!
Quase indescritível era aquela visão
Ma notei , a oeste, ao fim do espaço desta
que haviam peta-las soltas ao chão dela
que banhavam seus pés
rodeados de flores
mas acolchoados das pétalas
que ao lugar, perfumavam
mas porque tantas flores desculpidas
em meio as lágrimas dos olhos que caiam?
Ela cantava, sobre um príncipe que a havia
algum tempo perecido
ao mexer por entre as folhas escondidos
toquei sem perceber num guizo
que soou, aos ouvidos da dama
Ela assustou-se diante do sonido
e escondeu-se depressa entre os troncos rompidos
e seu olhos mostraram chama
tanto quanto suas lágrimas em flama
-Ei, desculpei-me
mas as dias ouvi o canto
e respondi a este encanto
-Porquê choras bela dama
enquanto paira sobre este jardim?
Após fitar-me quase por um minuto
me mediu dos pés ao topo
e sorriu, á minha pergunta
ousada,
Respondeu-me ao mesmo tom
- Se alguém tú já perdeu
Tú sabes então a dor de não mais ter
a presença de um teu
Ela sorriu, e contou-me de seu amado
daquele tesouro, plantado
daquelas flores, que representavam
tantas amizades, perdidas
numa dura batalha pela vida
Seu companheiro, era um príncipe valente
mas extremamente
zeloso, com seu jardim
Mas certo dia, reunido ao Mosteiro
ficou sabendo, de um duro guerrilheiro
que ameaçaram inocentes damas
de um perto vilarejo
tal qual como quão zeloso era,
com tudo e com todos
tomou para si a afronta
e se pôs a defender
Seus amigos não obstante,
se empenharam a segui-lo
mas incautelosamente caíram
numa emboscada a sua frente
As damas nada mais eram
que invejosas flores bruxas
que o enganaram até a morte
Ela cantou desde então, todos os dias
pela perda de seu amado!
e cada pétala de flores murchas
ela pisou, como se pudesse pisar sobre bruxas
que levaram seu amor!
Mas decidido a romper o mistério
fui com meu cajado além do lago
E encontrei o vilarejo, que causou engano
aquele triste desfecho
Avancei a cabana a minha frente
e ninguém via, para que eu pude-se tomar parte
somente vi vultos a minha volta
com sussurros e uivos
a todo lado
Empunhei em tão em ataque
e surpreendi quem as costas, me esperava ali
Era uma velha, que amaldiçoava o príncipe e a Dama
do Jardim
Após soltar faiscas de seu corpo cerrado
esta velha desapareceu, ao nada
e um encanto do mal fora quebrado!
Nada a mais vi, depois disto
eu acordei ao som do canto
mas a Dama não mais cantava
Puder ergue-me para ver, ao fim do lago
a Dama e sua flores de Acácias
Mas aquele show parecia não ter fim
Ela rumava sobre as águas ao encontro
de seu príncipe
e Juntos dançavam flutuantes
sobre o Jardim Das Acácias!
Como que por sonho
me vi depois em outro lugar
num vilarejo cheio pessoas
e crianças
a mesma música a cantar
e cantavam
sobre a Lenda da Dama do Jardim das Acácias!