Dia dos Namorados
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Senzala

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Senzala
Regina Aparecida Magalhães
Pela cor quem te conhece
Relembra há tempos atrás
Se a tua pele dissesse
Sofrerias por muito mais
Quilombo de uma esperança
Para onde o negro fugia
Castigado pela andança
Feliz ao teus pés caía
E quantos não conseguiram
Fazer do sonho realidade
Assim morreram pelo que queriam
Sem ver surgir a liberdade
Acorrentado e aprisionado
Sendo humilhado em preconceito
Feliz de ti que ao meu lado
És hoje livre em seu direito
Quanta maldade já existiu
Julgar um homem pela côr
Foi um sentimento que baniu
E deixou muito dissabor
As chibatas que choraram pela terra
E castigaram açoitando sem dó
Aprisionando a pessoa feito fera
Só lhe restando o seu triste canto,só
Quantas lágrimas alí caídas
E por esses campos regados
Lamentos de vidas sofridas
De seres brutalmente discriminados
Oh! Liberdade como és bonita
Poder eu respirar com serenidade
Ver um irmão negro meu ser saltita
Vê-lo livre assim por toda a eternidade
Saber que não mais sofrerás
E nunca mais também escravizado
Vivendo em paz então verás
O sonho teu realizado
Palmares que ficaste ao longe
Só te trago hoje em recordação
Foi tão triste mas fez saber por onde
Acalentaste desesperados corações
Oh! Lembrança que embala
Que vai e volta na força do vento
Eu trago até hoje as imagens da senzala
Dos tristes negros e seus lamentos
São marcas que o tempo não apaga
Os sofrimentos sentidos de uma raça
São feridas que custaram a serem sanadas
Mas, apagá-las não há quem faça
Perdoa os erros dos homens, senhor
Das injustiças que cometeram
E que haja muita paz e mais amor
Por esses campos que antes já morreram!
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