

Mãe
Cristina Menezes
Se a mão de Deus embala o mundo e encaminha os Homens à perfeição, seria a sua, Mãe, dentre todas as mãos humanas, a que nos encaminha a Ele...
Seu nome traduz amor e compreensão e embora muitas vezes alterada, sua voz soa como o doce canto de pássaros, numa manhã ensolarada de primavera.
Os Homens escolheram um dia só pra você, como se todos os dias não fossem seus, e eu, como se meus pensamentos não lhe pertencessem, dedico estas linhas sem versos nem rimas, mas que também são só suas...
Sabe, Mãe...
Às vezes eu volto ao passado e recordo com carinho aquele jeitinho todo especial que você tinha de me tomar em seus braços e me fazer dormir... ou quando, aborrecida, me repreendia e aplicava umas palmadas que doíam muito.
Eu chorava, mas logo esquecia...
Você me abraçava, me beijava, e eu voltava a brincar, feliz, como se nada houvesse acontecido.
Eu fui crescendo e trocando um pouco a ordem das coisas...
As bonecas foram ficando de lado, dando lugar ao baton;
A calça jeans desbotada passou à frente da sainha curta;
As tranças se desfizeram para deixarem o cabelo solto, num jeito mais feminino e sensual;
E você, Mãe... foi ficando esquecida entre um bate-papo e outro com as amigas da escola...
Mas eu cresci muito rápido e muito cedo, fui enxergando a Vida como ela realmente é, cheia de armadilhas e tropeços e... senti muito a sua falta!!!
O que eu queria, naqueles dias, era me aproximar de você e contar meus desmandos, apresentar as minhas amigas, comentar sobre aquele menino “metido_a_besta” que piscou pra mim e me deixou vermelha de vergonha. E, muito triste, eu percebi que você estava diferente, nem de “filhinha” você me chamava mais...
Os desmandos eu resolvi como pude;
As amizades eu conservei, até brigarmos ou nossos caminhos não se cruzarem mais;
E o menino metido riu de mim e se foi, quando enrubesci...
E assim foi, Mãe...
Por falta de quem desse o primeiro passo nós nos afastamos e foram preciso muitos tombos, amigas da onça e meninos metidos, pra que eu descobrisse que somente você poderia me proteger e dar o colinho que eu precisava, nos momentos em que me faltou um ombro sincero pra chorar...
Só você, Mãe!
Aí eu tentei uma reaproximação, lembra???
Foi quando fiz a maior descoberta da minha vida...
EU NUNCA ESTIVE SÓ...
Em todos os bons e maus momentos você esteve lá, por detrás das cortinas... Me vigiando, orando por mim, me resguardando e esperando pacientemente meu retorno aos seus braços...
Percebi então, que eu também lhe fazia falta e chorei feito criança, arrependida, envergonhada...
Nossa, como eu fui insensível, Mãezinha!
Eu cresci...
Hoje não uso mais tranças nem saias curtas, mas o coração ainda carrega sonhos e planos como antigamente;
Na cabeça giram perguntas sem respostas...
Perguntas que só você, Mãe, com sua experiência e sabedoria, podem responder...
Entre os dedos carrego uma caneta, que esteve presente nas horas em que eu escrevi sobre a nossa distância, mas que agora me servem pra exalta-la neste seu dia. E pretendo que permaneça, para que no futuro, mesmo com mãos cansadas e trêmulas, eu possa ainda usá-la...
Quero deixar registradas as minhas lições de Vida àqueles que ainda não tenham aprendido a pedir perdão, porque eu acho que já aprendi...
PERDÃO, MÃE...
E que Jesus a abençoe neste seu dia...
FELIZ DIA DAS MÃES!