




A menina
Gonçalves Ribeiro
Era pequena a menina,
Pequena, leve, divina,
Quando a vi passear sorrindo
Pelo campo iluminado
À luz do Sol deslumbrado
De ver um anjo tão lindo.
Tinha os cabelos dourados, uns olhos azuis, parados,
Que estavam sempre contentes.
Nos lábios, sempre um sorriso,
E num andar indeciso
Corria as trilhas ardentes.
E depois, embevecida,
Colhia a flor colorida
Com tanta graça e primor,
Que eu a vendo assim divina
Pensava: a flor é a menina
Ou a menina é a flor.
Ela sentia alegria
E de entusiasmo tremia
Ao achar uma bonina.
Colhia então facilmente
O que queria; inocente,
Era feliz a menina.
Não mais a vi. Tantos anos já lhe deram desenganos
Na sua idade de amores,
Pois eu sei que após a infância
Se deseja com constância,
Mas não se colhem mais flores.